6 de fev de 2017

Bicho!

Os bichos estão por toda parte!

Adoro os animais domésticos, admiro os animais selvagens, e a nossa convivência com eles é enriquecedora. Aprendemos com nossos bichinhos, a ação do cuidar, do amar, voltamos a ser crianças.

Eu tenho um bicho dentro de mim.

Eu o alimento as vezes.

Não quero mais isso.

Eu fui uma criança que não via coisas, que dormia bem a noite. Acho que fui uma criança bem de boa.

Entrei na escola com 3 anos e meio, amava a escola que eu estudava. Educação construtivista, tinha liberdade de ser quem eu era, e se fazia algo errado ( e olha que fazia viu? ) era chamada de canto, conversavam comigo, me apontavam a atitude que não havia sido legal, e eu ficava com vergonha de ter feito o que tinha feito, por pura admiração e amor que nutria por aquelas pessoas e aquele lugar.

Eu morava bem pertinho da escola, e de final de semana eu subia numa muretinha e ficava olhando lá para dentro, para ver se minha escola tava lá, e com vontade de entrar.

Depois saí da escola aos seis anos e meio e tive que ir para outra escola fazer o primário, pois a Epco era só jardim de infância.

Depois, a gente vai crescendo e mudando. Fui para outra escola cursar o primário, ginásio e colegial. Também amava esta escola, mas comecei a apresentar algumas dificuldades.

Eu acho que o bicho apareceu e cresceu nesta fase.

Eu fazia diários ilustrados e pintava de giz de cera, lápis de cor, colava adesivos, recortava palavras e frases legais da revista, para colar nos dias mais bacanas e que estava mais feliz. Nos dias tristes também tinham recortes de revista e pinturas com giz, porém outras cores e sentidos.

Minha mãe lia, e eu ficava furiosa comigo, de acreditar que havia algum respeito e privacidade.

Aqui é diferente, escrevo para quem quiser ler, mas nunca divulgo.

Estou passando por uma fase que o bichão está acordado, pede comida, colo, cafuné, atenção, carinho e amor.

Quando ele adormece, eu me sinto muito leve, feliz, conecto com as pessoas e consigo fazer várias coisas; mas quando ele acorda, me toma de assalto, me deixa tensa, nervosa, desatenta e muito ansiosa. Fico no desequilíbrio, desconectada das pessoas, até das que amo.

Ele é grande, pesado, e não avisa a hora de aparecer, ele vem, chega chegando, quando eu menos espero.

Estou tomada, toda encoberta com ele no colo, parece até um urso polar que me abraça e não me solta. Fico paralisada, me sinto culpada por não conseguir deixá-lo cair do meu colo, abandoná-lo, simplesmente deixar ele num canteiro de estrada e sair correndo e nunca mais achá-lo, nunca mais pegá-lo, afinal, ele não me pertence, mas ele acha que sou sua dona.

É tão difícil lidar com ele, eu, minhas questões, minhas faltas e necessidades quando ele está acordado... Mas aprendi uma coisa com ele. Falta muito amor próprio, e se não fosse por ele, não estaria no curso de percussão ( coisa que sempre quis fazer e nunca tinha ido atrás) e as práticas de dança com a Técnica Klauss Vianna que me faz tão bem!

Apesar da minha busca estar se intensificando cada vez mais, preciso abrir mão dele, soltá-lo, deixá-lo de lado e seguir minha vidinha. Trabalhar, estudar, pagar as contas, sonhar, dançar, batucar e ser feliz.

Depressão, se não for via terapia, será via medicamentosa, mas não aceito mais, seu acampamento aqui dentro da minha mente e do meu peito.

Chega de dor!

Bjo





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